04 SET 2007

Pesquisadora pede afastamento e diz que CTNBio não cumpre sua função

 

Lia Giraldo da Silva Augusto, indicada por ONGs ambientais para a comissão, acredita que há contradições entre biossegurança e biotecnologia nao julgamento da liberação comercial de transgênicos.

SÃO PAULO – Não raro, as deliberações na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) causam discórdias entre os próprios membros da comissão. No caso da recente aprovação para a comercialização do milho transgênico da Bayer não foi diferente. Na semana passada, Lia Giraldo da Silva Augusto, uma das integrantes titulares da CTNBio, decidiu se afastar do conselho por não concordar com os procedimentos do órgão.
“A CTNBio tem por missão avaliar questões de biossegurança, mas isso não ocorre a rigor”, afirma Lia, em entrevista à Carta Maior. Ela argumenta que a comissão não é formada por técnicos em biossegurança, mas sim por especialistas de biotecnologia. “São pessoas que não têm experiência para a avaliação de risco e têm um olhar desenvolvimentista da biotecnologia. Há uma contradição sobre perfil dos membros. Do ponto de vista ético, só pode dar problema”, avalia. (...)
A pesquisadora diz que a avaliação dos membros da CTNBio é baseada nos documentos que as próprias empresas interessadas na aprovação de seus produtos entregam a eles. Na sua carta, Lia afirma que os Princípios de Precaução e de Incerteza não são levados em conta. Ela acusa as liberações de transgênicos de serem feitas sem a existência de uma instrução normativa e sem nenhuma integração com órgãos fiscalizadores. “Há incertezas sobre muitos pontos [dos transgênicos]. Precisamos reconhecê-los e tomar medidas de precaução que garantam a biossegurança”, afirma. (...)

Natália Suzuki, Carta Maior, http://www.agenciacartamaior.com.br/

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