31 JAN 2008

Cena típica da mais nova corrupção policial

Um camelô vendendo de DVDs em uma rua movimentada de São Paulo. Uma perua da Polícia Federal se aproxima. Ele fala para o freguês: “Sujou”. O freguês sai andando com alguns DVDs. O camelô cumprimenta os policiais, sai atrás do freguês e diz: “Eles são amigos”. O freguês paga pelos DVDs, cumprimenta o camelô e provavelmente sai pensando: “O envolvimento da polícia nas teias do narcotráfico começou com o jogo do bicho”.

No mundo mercantil, quando surgem novas práticas sociais que parecem razoáveis para as pessoas comuns e as leis não são alteradas para comportá-las, as práticas se impõem mesmo contra as leis - mas a sociedade paga um preço por manter leis irracionais para o povo. O que se passa na pequena corrupção dos policiais que achacam camelôs de DVDs é um pequeno tumor que provavelmente já envolve relações dos orgãos de segurança com os grandes intermediários responsáveis pela gravação das centenas de milhões de CDs e DVDs. E que crescerá muito a menos que a legislação de direitos autorais seja alterada para se adaptar ao novo caráter dos bens culturais, que permitem sua reprodução infinita praticamente sem custos.

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