04 JUL 2007

Informar, sem desmobilizar

Quando falamos de conhecimento livre, surgem uma série de questões novas, distantes da vida da maioria das pessoas, mesmo as bem informadas. Elas colocam disputas em torno das tecnologias de ponta e dos enormes riscos que elas trazem. Sementes "terminator", nanotecnologias, vida sintética, geoengenharia, são termos que por vezes nem estão nos nossos dicionários. Mas em torno deles estão se realizando investimentos de bilhões de dólares, movendo-se grandes interesses e desenvolvendo iniciativas que afetarão a vida de bilhões de pessoas.

A Monsanto investe em sementes "terminator" (exterminadoras), estéreis, que - quando colhidas - não produzem novas sementes que os agricultores podem plantar, para obrigá-los a comprarem novas sementes da sua empresa; coloca em jogo, desta forma, o destino de três bilhões de camponeses no mundo que ainda vivem do ciclo tradicional da agricultura. Craig Venter, o cientista-empresário que acelerou drasticamente o projeto genoma humano (que queria patentear para sua empresa), apresentou na semana passada o primeiro organismo vivo sintético, de olho na transformação da celulose em etanol (ver http://www.aepidemia.org/noticia/vida-artificial). A Planktos Inc. do Canadá, com vistas no mercado de carbono vinculado ao Tratado de Kyoto, quer jogar entre 45 e 100 toneladas de nanopartículas ou de pó de ferro perto das Ilhas Galápagos (um dos ecosistemas mais delicados do planeta), afirmando que isso aumentaria a capacidade de absorção de carbono do mar na região - isso é um exemplo de geoengenharia! (ver http://www.aepidemia.org/noticia/piratas-clima). É neste "admirável mundo novo" que já entramos e do qual não podemos sair fechando os olhos.

Vale a pena, assim, um esforço de informação. Recolhi, abaixo, em castelhano, algumas definições do Grupo ETC - Grupo de Ação sobre Erosão, Tecnologia e Concentração (http://www.etcgroup.org/es/ ) - cujas figuras mais conhecidas no Brasil são Pat Mooney e Silvia Ribeiro, que colaboram com movimentos como Via Campesina. Quem quizer realmente se assustar, pode navegar por seus textos. Entre os temas de trabalho do ETC estão estes duas:

"BANG (Bits, Átomos, Neuronas y Genes)/ Tecnología Convergente: Se refiere al conjunto de técnicas que abren la posibilidad de manipular la materia átomo por átomo, lo cual está derivando en una nueva fusión entre poderosas tecnologías como la nanotecnología, la biotecnología, la tecnología de la información y las neurotecnologías (ciencias cognitivas). Todas están coincidiendo en una plataforma tecnológica común. El Grupo ETC denomina "BANG" a esta convergencia, pues se refiere a la manipulación de los bits de información, los átomos de la materia, las neuronas del cerebro y los genes que integran el código de la vida. Ejemplos de tecnologías 'convergentes' incluyen la nanobiotecnología, la biología sintética, digitalización de ADN y la ingeniería neuronal.

Nanotecnología: la nanotecnología se refiere a la manipulación de la materia en la escala de un nanómetro (la milmillonésima parte de un metro). Las ciencias de nanoescala operan en el reino de los átomos y las moléculas. Actualmente, la nanotecnología comercial incluye la ingeniería de materiales... Mientras el autoensamblaje molecular se convierte en una realidad comercial, la nanotecnología se continúa moviéndose a la producción comercial. Si bien la nanotecnología ofrece oportunidades para la sociedad, también conlleva profundos riesgos sociales y ambientales, no solo porque es una tecnología que potencia a la industria biotecnológica, sino también porque incluye manipulación atómica y porque abre la posibilidad de la fusión entre el mundo biológico y el mecánico. Existe una necesidad urgente de evaluar las implicaciones sociales de las nanotecnologías, pero mientras eso ocurre, el Grupo ETC considera que debe establecerse una moratoria sobre la investigación de autoensamblaje y autorreplicación de las moléculas.

Quem quizer, pode acessar o material completo em http://www.etcgroup.org/es/materiales/the_issues.html.

Zé Corrêa

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