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O CD rumo ao passado e a Internet para o futuroGlobo Online, sexta-feira 10 de novembro de 2006 Confira abaixo o que o jornalista Jamari França escreveu em seu blog sobre o seminário "Processo da Música" http://www.culturalivre.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=110&Itemid=40 Estive na manhã desta quinta na Fundação Getúlio Vargas para duas conferências do seminário ’’O processo da música - Entre novos modelos de negócio e ações judiciais’’. Na parte da tarde, numa mesa sobre possíveis processos contra downloads ilegais, Marcelo Yuka soltou uma frase-bomba. "Ao invés de prender quem faz download, deviam prender o Tutinha da Jovem Pan que cobra jabá."
O consagrado não recebe mais adiantamento na assinatura do contrato, ele investe num selo e banca o seu próprio disco, distribuído e com o marketing por uma grande gravadora. Ele diversifica suas fontes de renda. Foi citado o caso do rapper americano Puff Daddy que também vende perfumes, roupas e rodas de carro. Nesse caso que ele citou, estão artistas como Fernanda Abreu, Arnaldo Antunes e Leoni. As gravadoras hoje só bancam os que ela acredita que podem vender muito, duplas sertanejas como Zezé de Camargo e Luciano e duplas como Sandy & Junior. O independente precisa bancar a produção do mesmo jeito, mas a divulgação e a venda têm que ser feitos através da internet, hoje um importante divulgador e vendedor de música através de sites como My Space, Trama Virtual e iTunes. A internet facilita o contato de consumidores de gêneros menos populares de música com suas preferências. Quem gosta de música barroca com viola de gamba, por exemplo, antigamente penava para conseguir alguma coisa, hoje em dia existem até comunidades no orkut sobre o assunto. A administração do direito autoral hoje em dia depende de menos intermediários que antes, com a possibilidade de acordos diretos através do Creative Commons, onde o artista determina os casos em que sua obra pode ser usada de graça ou sob pagamento. Já existem 140 milhões de licenciamentos pelo Creative em 50 países, entre eles o Brasil. O consumidor atual de música deseja portabilidade (poder tocar a música em qualquer mídia), participação (intervir nas músicas, poder remixar), catálogo ( maior número possível de música disponíveis, nada deve ficar fora de catálogo) e preço (mais barato possível por fonograma). Os músicos presentes Lucas Santanna e B Negão colocaram discos inteiros para serem baixados de graça em seus sites e não acham que isso afete a venda da mídia física, o CD. Ambos vendem bastante em shows e disseram que a difusão pela internet gera público em praças onde não chegou o CD e muito menos foram tocados em rádio. Foi citada uma declaração do presidente da gravadora EMI, Alain Levy, que decretou a morte do CD. Levy revelou que 60% dos consumidores jogam o CD dentro do computador para transferi-los para players digitais, daí ser mais lógico que a aquisição seja feita por meios digitais. Com a vantagem adicional de o consumidor escolher as músicas que deseja e, assim, fazer uma compra variada com o que gastaria na aquisição de um único CD. O álbum pode até sobreviver, mas de alcance bem limitado e não mais como dado de mercado. O jabá nas rádios impede a difusão de novos músicos e da música de qualidade por causa do jabá, que é crime e organizado. Foi lembrado o papel da Rádio Fluminense na divulgação da Geração 80 do Rock Brasil e que a ascensão de nomes como Paralamas, Lobão, Barão e Kid Abelhas terias sido bem difícil sem a FM Maldita. Os participantes foram Dirceu Santa Rosa (da Veriano Advogados), Lucas Santtana e B Negão (músicos), Ronaldo Lemos (Centro de Tecnologia e Sociedade), Alexandre Matias (Gravadora Trama), André Barcellos (secretário executivo do Conselho Nacional de Combate à Pirataria), Luiz Fernando Noncau (Advogado do Idec - Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor).
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