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06 JUN 2008

Indústria criativa já é 16,4% do PIB

Levantamento da Firjan indica que setor movimenta R$ 381,3 bilhões por ano e emprega 35,2 milhões de pessoas

Nilson Brandão Junior, RIO

A indústria criativa movimenta em torno de R$ 381,3 bilhões por ano no País, o equivalente a 16,4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, e emprega 35,2 milhões de pessoas. Os dados constam de um levantamento inédito feito pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) e leva em conta áreas que vão desde cinema, música, arquitetura e design até atividades indiretas relacionadas e de apoio em produção e serviços.

"No Brasil não havia sido feito, ainda, um levantamento assim, talvez porque não se prestou atenção que esse é um dos setores que vêm crescendo no País", disse a diretora de desenvolvimento econômico da federação, Luciana de Sá. Segundo ela, o comércio internacional de bens e serviços criativos cresceu a uma taxa anual de 8,7% de 2000 a 2005, bem acima da variação de 5% das exportações totais desses itens, com base em dados da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad).

Atividades criativas, no critério da Unctad, são as que usam no ciclo de produção e distribuição itens que "usam a criatividade e capital intelectual como insumos primários". A pesquisa da Firjan levou em conta 12 atividades principais: artes visuais, publicidade, expressões culturais, televisão, música, artes cênicas, filme e vídeo, mercado editorial, software, moda, arquitetura e design, além do grupo de serviços indiretos. Na próxima semana, a Firjan fará um seminário sobre o assunto.

Essas 12 áreas principais da cadeia criativa respondem por 2,6% do PIB brasileiro. O Rio de Janeiro é o Estado com o maior peso da chamada indústria criativa no PIB local: 4%, seguido de São Paulo, com 3,4%. Já as atividades relacionadas a essas áreas (material de artesanato, publicidade, instrumentos musicais, registro de marcas e patentes, dentre outras) equivalem a 5,4% da economia do País e as atividades de apoio (consultoria especializada, insumos, maquinários) a 8,4% - somando o peso total de 16,4%.

Levando-se em conta a cadeia total das indústria criativa (atividades diretas e indiretas), o maior peso no PIB é o de Santa Catarina (21,4%), seguido por Minas Gerais (21,3%), São Paulo (19,1%) e Rio (17,4%).

No total empregado diretamente nas atividades principais, o Rio lidera o ranking, com 2,4% de todos os trabalhadores formais, seguido de São Paulo (2,2%). O mesmo acontece na renda média do trabalho no setor, que é de R$ 2.182 no Rio, de R$ 2.124 em São Paulo e R$ 1.666 na média do País.

O editor de imagens, Moisés Zylberberg, 38 anos, trabalha nessa indústria. Desde o colégio, fez cursos de cinema e animação e, hoje, trabalha com edição e produção de imagens. Ele avalia que o mercado está aquecido no Rio. "Tem oportunidade na área de televisão, tenho amigos músicos que estão tocando quase toda noite", exemplifica.

Zylberberg trabalha na Multirios, empresa produtora de televisão da Secretaria Municipal de Educação, e na Globosat. "Sempre gostei dessa parte de audiovisual, desde criança. O Rio vem crescendo nesta área. Além disso, muitos profissionais que trabalham com esses segmentos moram aqui."

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080522/not_imp176406,0.php

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