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01 JUL 2007

Tuberculose: não há tempo a perder

As necessidades dos que têm tuberculose são enormes e os governos precisam agir agora.

Independentemente do viés, os fatos falam por si. A Tuberculose (TB) mata quase dois milhões de pessoas por ano. A resistência aos medicamentos existentes está crescendo de forma acelerada, com 450 mil novos casos detectados a cada ano. Além do HIV, que estimula a epidemia de TB na África, há ainda o aparecimento de cepas de TB multirresistentes (MDR) e extremamente resistentes (XDR) a medicamentos, o que tem tornado esse coquetel de doenças ainda mais fatal. A epidemia simplesmente não pode ser controlada com as atuais ferramentas de diagnóstico e tratamento.

Enquanto aproximadamente um medicamento para o HIV tem sido desenvolvido a cada ano desde o início da epidemia - há 25 anos - o medicamento mais recente para TB na terapia padrão foi desenvolvido nos anos 60. E nenhum dos exames que existem hoje é suficientemente bom. Se quisermos ter a chance de detectar a TB em lugares pobres ou remotos, ferramentas simples, que não necessitem de um exército de técnicos de laboratório com equipamento de alta tecnologia, deverão ser desenvolvidas. Nós precisamos de novos medicamentos e precisamos de novos exames para a TB. Até que se chegue a um ponto em que nossos pacientes possam obtê-los, será uma longa jornada.

Os primeiros anos deste século têm visto esforços para pesquisa e desenvolvimento (P&D) em TB - mas estes são minúsculos quando comparados ao desafio. Um encontro realizado por MSF e a Faculdade de Medicina de Weill Cornell, em Nova Iorque, em janeiro de 2007, reuniu indústria, parcerias de desenvolvimento de produtos, OMS, governos, doadores, ONGs e cientistas e identificou o que precisa acontecer agora: se quisermos ter sucesso, P&D para a TB requer investimento financeiro maciço, liderança clara e novas abordagens para estimular descobertas de medicamentos e acelerar o desenvolvimento clínico (veja o quadro com a declaração da conferência). O Grupo de Ação para o Tratamento tem analisado criticamente o quanto é pequeno o apoio para a P&D em TB, quem está fornecendo-o, quem não está.

A chance está agora no Grupo de Trabalho Intergovernamental (IGWG). Ele foi incumbido de elaborar uma estratégia global e um plano de ação para a saúde pública e inovação. A estrutura precisa assegurar uma base aprimorada e sustentável para pesquisa e desenvolvimento em saúde, essencial e direcionada pelas necessidades, relevante para doenças que afetam desproporcionalmente países em desenvolvimento.

Com tais necessidades urgentes e com os passos iniciais já desenvolvidos para uma agenda de pesquisa, os delegados do IGWG deverão começar a pedir aos estados membros da OMS que estabeleçam compromissos vinculadores no sentido de apoiar P&D para a TB.

Declaração do Simpósio de TB em Nova Iorque

Independentemente do viés, os fatos falam por si. A Tuberculose (TB) mata quase dois milhões de pessoas por ano. A resistência aos medicamentos existentes está crescendo de forma acelerada, com 450 mil novos casos detectados a cada ano. Além do HIV, que estimula a epidemia de TB na África, há ainda o aparecimento de cepas de TB multirresistentes (MDR) e extremamente resistentes (XDR) a medicamentos, o que tem tornado esse coquetel de doenças ainda mais fatal. A epidemia simplesmente não pode ser controlada com as atuais ferramentas de diagnóstico e tratamento.

1. Acelerar a descoberta de medicamentos
O setor público sem fins lucrativos precisa ter acesso garantido a serviços, existentes principalmente no setor privado, para desenvolver diagnósticos e medicamentos. Mecanismos precisam ser estabelecidos para assegurar o acesso público a bibliotecas de compostos e para que sejam criadas bibliotecas apropriadas com potencial para apresentar propriedades anti-TB, particularmente de produtos novos e naturais.

2. Expandir a capacidade para realização de ensaios clínicos e acelerar o desenvolvimento clínico
Em todo o mundo, somente US$ 20 bilhões são gastos anualmente com ensaios clínicos para medicamentos de TB, em comparação com os US$ 300 milhões gastos com medicamentos para o HIV somente nos Estados Unidos. As agências financiadores deveriam apoiar a criação de uma plataforma para ensaios clínicos em TB e a expansão massiva da capacidade de realização de ensaios clínicos, particularmente nos países em desenvolvimento.
Há uma prioridade imediata para diminuir o tempo de desenvolvimento clínico de medicamentos. Critérios para o uso expandido precisam ser estabelecidos pela OMS e pelas autoridades reguladoras de medicamentos para os candidatos que forem considerados importantes.
Particularmente, teste para medicamentos contra TB-MDR precisam ser priorizados por causa da disseminação explosiva da resistência medicamentosa e do potencial desses testes para mostrar rapidamente a eficácia
Ensaios clínicos de medicamentos deveriam buscar integração com os estudos de novos potenciais diagnósticos.

3. Apoiar novas abordagens para P&D
A falta de desenvolvimento de medicamentos para a TB é resultado do fracasso do atual modelo de P&D orientado pelo lucro. A comunidade de TB precisa empenhar-se frente ao Grupo de Trabalho Intergovernamental em Inovação, Propriedade Intelectual e Saúde Pública da Organização Mundial da Saúde visando a estabelecer uma estrutura global de P&D para auxiliar no desenho de novas formas de se estabelecerem prioridades e financiamento para P&D
Em relação ao desenvolvimento de medicamentos para a TB, os participantes do simpósio em Nova Iorque defendem a atual discussão na OMS por um tratado sobre P&D em saúde essencial, que trate da questão de quem paga por P&D em medicina essencial e pelos incentivos aos preços de medicamentos. Parte dessas propostas incluem a recompensa pelo impacto das invenções em função dos resultados em cuidados à saúde.

4. Comprometer-se à liderança global em P&D para a TB
Requer forte liderança política para melhorar a colaboração entre cientistas que desenvolvem medicamentos, profissionais de atenção à saúde e indivíduos afetados, tanto nos países desenvolvidos como nos em desenvolvimento, para desenvolver-se uma agenda de pesquisa prioritária em TB.

5. Aumentar o financiamento para as atividades de P&D em TB
Há uma importante lacuna no financiamento de P&D para a TB. Cerca de US$ 900 milhões precisam ser investidos anualmente no desenvolvimento de novas ferramentas para a TB, porém somente US$ 206 milhões foram investidos em 2005. Acreditase que a lacuna se alargue ainda mais ao longo do tempo. Isso é, acima de tudo, uma questão de priorização política.

 

 

 

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